Frases para os sintomas do desamor

Aprendendo a ser amigos do desamor

Recebi muitas mensagens ultimamente sobre a dor do fim do relacionamento, descrito como uma dor intensa, que muitos vezes não deixa dormir, comer nem curtir a vida. Mas que tal se houvesse uma alternativa para que não seja assim, para que a dor se tornasse uma aventura de autodescobrimento?

Este artigo não está pensado para te ajudar a voltar com seu namorado, mas sim para te mostrar como esta experiência pode te ajudar a ser mais livre. E se o que realmente você quer é deixar de sofrer e recuperar sua paz e bem-estar, eu te convido a continuar lendo com o coração e a mente aberta.

Uma crença a questionar

O que vejo em comum em todas estas mensagens é que responsabilizamos nossos namorados da nossa dor e felicidade. Estamos cheios de: "ele deveria ter feito isto", "ela não deveria ter feito aquilo", "preciso dele para ser feliz", e uma interminável lista de deverias, preciso, e quero como condições para nossa felicidade que nos impedem de ser felizes… A crença de que nosso namorado é responsável da nossa felicidade ou dor nos leva a dirigir nossa atenção para outra pessoa nos abandonando como consequência porque não podemos ter nossa atenção em dois lados ao mesmo tempo, nos leva a nos sentirmos dependentes e necessitados da outra pessoa, a sofrer se essa pessoa não está do nosso lado ou não cumpre com nossas expectativas e a sentir que perdemos o controle das nossas vidas e nosso bem-estar porque o pusemos nas mãos de outra pessoa.

Novos paradigmas que eu te convido a comprovar:

Não há nada nem ninguém que possa fazer que nos sintamos como nos sentimos. Ninguém tem o poder para gerar nossos sentimentos, a não ser nós mesmos… São apenas nossos pensamentos e nossa interpretação da vida os que nos podem fazer sentir como o fazemos. Esta citação de Marco Aurélio, imperador romano, o reflete muito bem: "Se você se aflige por alguma causa externa, não é ela o que te importuna, mas sim a opinião que você faz dela. E apagar esta opinião depende de você." E esta é uma ótima notícia… porque significa que depende de você como você se sente, e não de outras pessoas, sobre as que você não tem controle… E depende só de você mudar essa opinião que te faz sofrer. Quando você reconhece isso, só então pode colocar sua energia na direção correta, em questionar as crenças que te fazem sentir dor, raiva ou tristeza.

As emoções dolorosas são sinais de que algo que estamos acreditando não é verdadeiro para nós, para nossa essência. Quando compreendemos a função das emoções podemos vê-las como amigas que vêm para nos avisar de algo e não como inimigas das quais temos que fugir. E justamente são as relações mais próximas as que mais nos conectam com essas emoções que refletem falsas crenças, com esses "alarmes" que nos convidam a questionar o que estamos acreditando. E justamente as emoções dolorosas que aparecem nas crises e rompimentos são das que mais nos podem impulsar a fazer algo a respeito pela dor que sentimos (o sinal de alarme é muito forte…) e se nos permitimos escutá-las, e questioná-las, poderemos descobrir a verdade que existe por trás delas, uma verdade que nos reconectará conosco, que nos mostrará coisas que precisamos ver sobre nossa relação com outros e, sobretudo, sobre nossa relação com nós mesmos, uma verdade que se nos abrimos a ela, nos fará livres.

Os outros são o reflexo dos nossos próprios pensamentos, das nossas crenças. Como diz Alexander Smith: "O amor é apenas o descobrimento de nós em outros, e o prazer no reconhecimento".

Aqui os passos que você pode dar para ver o que a sua relação sentimental está te mostrando.

Passo 1:

Consiste em escrever suas opiniões sobre o seu namorado. Tudo isso que tanto te incomoda, tudo o que você acredita que deveria fazer ou não fazer, o colocará por escrito já que te ajudará a identificar os pensamentos mais estressantes a questionar. Para isso você pode usar a folha de trabalho criada por Byron Katie chamada "Julgue o seu próximo" e responder as seguintes perguntas com frases curtas e simples (esta é só uma referência, visite www.thework.com para ter acesso ao documento completo):

  • Quem te incomoda, confunde, entristece ou decepciona, e por que?
    (Nesta pergunta, enfoque uma situação concreta que esteja te incomodando no seu namorado e responda o resto das perguntas com base nesta mesma situação.)
    Ex.: Estou incômoda com o Xavier porque não me dá valor.
  • Como você quer que esta pessoa mude? O que você quer que faça?
    Ex.: Quero que o Xavier me valorize. Quero que volte a mim.
  • O que é que esta pessoa deveria ou não deveria fazer, ser, pensar ou sentir? Que conselho você lhe daria?
    Ex.: Xavier deveria me valorizar mais. Xavier deveria ver que está errado.
  • O que esta pessoa precisa fazer para que você seja feliz?
    Ex.: Preciso que o Xavier volte para mim.
  • O que você pensa desta pessoa? Faça uma lista.
    Ex.: Xavier é ingrato e não tem consideração.
  • O que é aquilo que você não quer voltar a experimentar com esta pessoa?
    Não quero voltar a experimentar me sentir não valorizada pelo Xavier.

Este passo está pensado para que você possa organizar sua mente e identificar facilmente os pensamentos mais estressantes. Acreditamos saber como devem viver e atuar os outros mas é difícil para nós ter essa clareza conosco. E quando você comprovar que as outras pessoas são projeções suas, verá que tudo aquilo que você espera e pede para a outra pessoa está relacionado com você, e os conselhos que você lhe dá são conselhos para você, só que até agora não tinha percebido. Se você se abre, este processo te mostrará isso claramente.

Passo 2:

Assim que você tiver identificado os pensamentos mais estressantes, questione eles um por um usando as quatro perguntas que já expliquei em artigos anteriores e que detalho brevemente:

  1. É verdade?
    Ex.: É verdade que o Xavier não te dá valor?
  2. Você pode saber que é verdade com absoluta certeza?
    Ex.: Você pode saber que é verdade com absoluta certeza que o Xavier não te dá valor?
  3. Como você reage, o que acontece, quando você acredita nesse pensamento?
    Ex.: Como você reage, o que acontece, quando você acredita que o Xavier não te dá valor? Note como este pensamento afeta a sua vida, como te faz sentir e atuar…
  4. Quem você seria sem o pensamento?
    Ex.: Quem você seria sem o pensamento que o Xavier não te dá valor? Note como você se sentiria e atuaria sem o pensamento…

Inverta o pensamento. (Pensamento original: Xavier não me dá valor.)
a) ao oposto (Xavier sim me dá valor.)
b) a si mesmo (Eu não me valorizo.)
c) ao outro (Eu não dou valor ao Xavier.) Encontre três exemplos genuínos e específicos de como cada inversão é verdade na sua vida.

As perguntas te permitirão questionar a veracidade do que te faz sofrer, crenças que sempre foram dadas como certas e nunca questionamos e ver como este pensamento ou a falta dele afeta sua vida... E as inversões são as que te permitem ver que os outros são um reflexo seu. O que tanto me incomoda do meu namorado é um reflexo do que eu muitas vezes faço com meu namorado ou com outros e que não vi… e sobretudo é o reflexo do que faço comigo mesma e que é o que na realidade me causa tanta dor. Só quando posso ver isso posso fazer algo para mudá-lo…

Quando descubro que eu não valorizei o Xavier, ou não valorizo as decisões que toma ou sua forma de ser. Como posso exigir que me dê valor? Que tal se eu começar primeiro? E se me torno consciente de que não me dou valor e das formas em que não me valorizo, posso então começar a me valorizar. A me valorizar embora os outros não o façam, a me valorizar embora esteja sozinha porque não preciso de um namorado para valer, a valorizar minha capacidade e fortaleza, a valorizar minha capacidade de ser feliz sem namorado. Só quando vejo isso, posso fazer algo para mudá-lo e me sentir melhor graças a isso. E a partir desse ponto de maior clareza e menor dependência é mais fácil tomar uma ação, e saber que passos dar na nossa vida.

Este trabalho não é "teoria", não se trata de entender os conceitos, se trata de se sentar com um lápis e um papel e fazer nosso trabalho, o trabalho de questionar o que nos gera dor. Se tenho dor de cabeça, não me bastará ter uma aspirina do lado e saber o que me aliviará a dor de cabeça, a tenho que tomar para que funcione. O mesmo com isto, este é o meu remédio e só pode me ajudar se eu sento para escrever minhas opiniões e questioná-las com uma mente aberta e com a única motivação de saber a verdade e recuperar minha paz.

Byron Katie, autora do best seller "Preciso do seu amor. É verdade?" (em inglês) nos diz: "Até que você não possa estar contente de que ele tenha ido embora, por seu bem (que é por seu bem) seu trabalho não terminou. Faça o trabalho nessas projeções que são tão poderosas. Você é sua própria liberdade. Veja o que viveu com ele, e o que você fez para garantir que ele acredite que você é "a pessoa". Você perdeu sua vida; pensa que não tem vida sem ele. É bom que ele tenha ido embora, para que você possa ver quem é na realidade."

Permita que esta experiência te mostre o caminho para uma vida melhor. Como disse Oscar Wilde: "Amar-se a si mesmo é o começo de uma aventura que dura toda a vida". Curta esta aventura! Você pode se surpreender.


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