Obtenção do perfume

Métodos de obtenção do perfume no antigo Egito

Espremido, enfleurage e maceração foram três métodos utilizados para obter perfume no antigo Egito.

ESPREMIDO
Consistia em esprimer as flores e plantas aromáticas envoltas em um tecido, com a ajuda de dois paus que giravam na direção oposta, copiando o sistema do vinho e do óleo. Esta era uma opção não muito usada por ser trabalhosa e escassa de benefício, já que, embora obtivessem uma espécie de suco, não conseguiam aproveitar todos os elementos aromáticos das plantas.

"ENFLEURAGE"
Consistia em intercalar flores sobre capas de gordura entre duas tábuas. Estas flores, ou pétalas, se mudavam assim que perdiam seu aroma (mais ou menos 24 horas) e se substituiam por outras frescas até que a gordura estivesse saturada de perfume. Com esta gordura perfumada faziam pomadas e os famosos cones que vemos nas festas tebanas do Reino Novo, e que veremos mais adiante.

MACERAÇÃO
Submergiam flores, ervas aromáticas e sementes em gorduras ou óleos esquentados a 65º C, logo o colocavam em um pilão e as continuavam removendo enquanto o óleo ou a gordura ainda estava no fogo (este sistema está descrito em alguns túmulos). Em seguida se filtrava e se deixava esfriar. Se o produto obtido era líquido (óleo), se colocava em frascos, e se saía sólido (gordura) se faziam bolas ou cones.

Uma alternativa a este sistema era cozer as flores e plantas na água tampando o recipiente com um pano saturado de gordura. Deixavam evaporar toda a água e logo arranhavam a gordura do pano, que teria ficado perfumado. Este sistema ainda se usa no Egito na atualidade.

Os aromas conseguidos através destes procedimentos costumavam se misturar com borrachas ou resinas para fixar outros ingredientes e conseguir assim algo parecido aos atuais pot-pourris, ou misturas de aromas.
Com relação ás borrachas e resinas, costumavam utilizar:

- Incenso
- Mirra
- Bedelia
- Resina de abeto
- Gálbano
- Terebinto
- Resina de pinho

Embora usassem diversas variedades de incenso, o mais comum era o denominado Boswellia ou Comniphora pedunculata, originário do Sudão e da Etiópia. A mirra eram as Â"lágrimasÂ" amareladas e avermelhadas da Comniphora. No Reino Novo o incenso e a mirra deixaram de ser materiais de importação após a expedição da rainha Hatshepsut al Pais del Punt (Somália). Nessa expedição se levaram árvores com suas raízes e terra, e em seguida já as cultivaram no Egito, onde cresceram perfeitamente. Antes desta expedição, o Egito importava grandes quantidades de mirra para o culto diário nos templos.

Para maior clareza, devo dizer que quando nos referimos ao incenso, não sabemos muito claramente a que nos estamos referindo, embora nos textos hieroglíficos se mencionam dois tipos deles. Um deles seria o sntr e o outro o antyw. Tradicionalmente se traduziu sntr por incenso, sem entrar em mais averiguações. Mas na realidade incenso não é um nome específico, mas genérico para algo que queima. Sntr significaria fazer divino, portanto a palavra hieroglífica só nos indica o fim a que foi destinado. Lise Manniche aponta a Boswellia Thurifera como a árvore do incenso. Mas estudos botânicos posteriores demonstram que as árvores representadas nas paredes da expedição ao Punt não se ajustam às características da Boswellia. O fato de que alguns autores identifiquem o incenso com a palavra árabe Olibano (Óleo do Líbano) nos permite pensar que pudesse se tratar de outra planta de resina, a Styrax Bensoina. Como você pode ver, os dados são confusos no que diz respeito ao incenso, e os estudiosos do assunto não conseguem entrar em acordo.

São mais claros quanto à mirra, chamada antyw pelos antigos egípcios. Era obtida da árvore da mirra ou Comniphora Pedunculata.

Os elementos secos como as resinas e as raízes, cascas, madeiras e sementes viajam bem e conservam sua cheiro, por isso eram muito apreciados.


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