Os perfumes na vida de Jesus: significado dos presentes

Os Perfumes no Cristianismo

Foi analisada a importância do incenso e da mirra e seus usos e aplicações na época do nascimento de Jesus.

Foi analisada a importância do incenso e da mirra e seus usos e aplicações na época do nascimento de Jesus. Por outro lado, é possível inferir que o apreço que nesse tempo se tinha pelo ouro é parecido ao que produz em nossos dias esse metal. Ao longo da história do cristianismo, diversos teólogos se perguntaram e acharam diversas respostas com relação ao porquê do presente dos magos ao Menino Jesus, algumas terrenas, outras espirituais ou dogmáticas.

O motivo que espontaneamente surge em primeiro lugar é o econômico e se refere concretamente ao valor pecuniário das oferendas. Embora hoje em dia o ouro tenha um preço altíssimo e comparativamente o incenso e a mirra tenham perdido seu valor, nos tempos de Jesus, ouro e incenso tinham aproximadamente o mesmo valor (uns 1200 dólares atualizados por quilo. Mas o quilo de mirra custava quase sete vezes mais (Vaughan, 1998). A oferenda dos magos representava, então, um altíssimo valor econômico.

Estes elevados valores do incenso e da mirra explicam por que o comércio dos dois artigos era tão lucrativo. Os países produtores tentavam de todas as formas manter seu monopólio e procuravam destruir qualquer tentativa de localização das plantações. Faziam circular rumores falsos sobre sua localização e espalhavam diversas lendas, como a que garantia que as árvores estavam protegidas por ferozes serpentes voadoras. Dizia Heródoto:

LÁ PELO MEIO-DIA, A ÚLTIMA DAS TERRAS POVOADAS É A ARÁBIA, ÚNICA REGIÃO DO PLANETA QUE NATURALMENTE PRODUZ O INCENSO, A MIRRA, A CÁSSIA, O CINAMOMO E O LÁDANO, TODAS ESPÉCIES NÃO RECOLHIDAS FACILMENTE PELOS ÁRABES, COM EXCEÇÃO DA MIRRA. PARA A COLHEITA DO INCENSO USAM O ESTORAQUE, UMA DAS DROGAS LEVADAS À GRÉCIA PELOS FENÍCIOS; E A CAUSA DE QUEIMÁ-LO NA HORA DE COLHER É PORQUE HÁ UMAS SERPENTES ALADAS DE PEQUENO TAMANHO E DE CORES DIVERSAS POR SUAS MANCHAS QUE SÃO AS MESMAS QUE EM REVOADA FAZEM SUAS EXPEDIÇÕES ATÉ O EGITO; AS QUE GUARDAM TANTO AS ÁRVORES DE INCENSO QUE EM CADA UMA SE ENCONTRA MUITAS DELAS; TÃO AMIGAS, POR OUTRO LADO, DESTAS ÁRVORES QUE NÃO HÁ FORMA DE AFASTÁ-LAS SE NÃO FOR PELA FUMAÇA DE ESTORAQUE MENCIONADA. (Heródoto, Livro III:CVII)

Alguns Pais da Igreja e teólogos sustentam que o ouro, metal precioso próprio dos reis, simboliza o tributo à realeza de Jesus, à sua qualidade de rei. O incenso, de importante papel nos rituais religiosos e nas oferendas às divinidades – tanto nas religiões idolátricas como no judaísmo, religião monoteísta – era um tributo à divindade de Jesus, o reconhecimento de que Jesus era Deus. A mirra, usada nos embalsamamentos, na unção dos cadáveres e nos ritos funerários, era emblema de morte e sofrimento e, portanto, prefiguraba a paixão e morte de Cristo. Simbolicamente era um tributo ao Jesus homem, ao seu componente humano. No século V, Pedro Crisólogo (Sermón 160) e o papa Leão Magno (I Homilia para a Solenidade da Epifania) declaram que os magos apresentaram, então, ouro para o rei, incenso para Deus e mirra para o homem.

Jacobus de Voragine, em A Lenda Dourada (1270), reflete que o ouro simboliza o amor, o incenso a plegária e a mirra a mortificação da carne. Sustenta que os três presentes significam três atributos de Cristo, "sua mais preciosa divindade, sua mais devota alma e sua carne intacta e incorrupta (Vorágine, I, 1995:83)."

Beda, o Venerável (siglo VIII) e São Bernardo de Claraval (siglo XII) brindam uma explicação mais prosaica, embora não por isso menos viável. Afirmam que o ouro tinha como fim aliviar a Virgem Maria da pobreza, que o incenso era para eliminar o mau cheiro do estábulo e que a mirra era para afastar os vermes, ou seja, desverminar o menino.


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